domingo, 31 de julio de 2011

Dolorosas e indignantes, las actuaciones de los políticos

 Olivier de Schutter, relator de la ONU para el derecho a la alimentación- TINEKE D'HAESE
  
"El hambre es un problema político"

ENTREVISTA: OLIVIER DE SCHUTTER relator de la ONU para el derecho a la alimentación

Si la crisis alimentaria tuviera receta no podrían faltar como ingredientes la demanda por los aires de países emergentes como China e India, los desastres meteorológicos -cambio climático mediante- al este de Europa, o estos días en Australia, unas reservas de productos agrícolas muy ajustadas, el cultivo de agrocombustibles, la acaparación de tierras... Y como aliño, la especulación. La que, según Olivier de Schutter, relator de Naciones Unidas para el derecho a la alimentación, no estira por sí sola los precios de los productos -en sus máximos, según los datos de la FAO-, pero sí, de la mano de hedge funds, "conduce a reacciones de pánico" en un mercado que ya tiene forma de burbuja. ¿Los perjudicados? Aquellos que, dice este profesor de la Universidad de Lovaina (Bélgica), están en el último eslabón: pequeños productores y consumidores. El Banco Mundial calcula que el alza de los precios de los alimentos registrada desde julio ha empujado a la pobreza a otras 44 millones de personas. Ahora bien, puntualiza De Schutter, alimentos hay para todos.
Leer la entrevista publicada en El País

viernes, 8 de julio de 2011

Sobremesas = Postres, por Maria Helena Sousa Soares Oliveira Braga



Sobremesas = Postres *
Por Helena

Designa-se por doçaria conventual os doces confeccionados nos conventos, caracterizados por serem, na sua maioria, compostos por grandes quantidades de açúcar e gemas de ovos.
Apesar dos doces conventuais serem muito apreciados em Portugal, eu prefiro as sobremesas com menos ovos e menos açúcar e que levam canela.

A canela (a melhor canela vem do Sri Lanka, porém há cultivos da planta em Tellicherry em Java, Sumatra, Caraíbas, Brasil, Vietname, Madagascar e Egipto) surgiu na doçaria Portuguesa na altura dos Descobrimentos Portugueses (no início do sec. XVI era trazida por comerciantes portugueses directamente do Ceilão (actual Sri Lanka, no sul da Ásia) e, como com as outras especiarias, a sua utilização na culinária era considerada um sinal de riqueza e poder (chegando um quilograma a valer dez gramas de ouro). Por vezes os pratos Portugueses eram exageradamente temperados com especiarias durante o apogeu da riqueza Portuguesa que não durou muito mais do que 25 anos (inicialmente houve excessos: “regra geral os estrangeiros que tiveram contacto com a cozinha portuguesa acharam-na «grosseira e mal confeccionada», registando o exagero com que se condimentava, com especiarias (…), o que lhe dava um gosto diferente, desagradável ao paladar” (Isabel D. Braga, 1998, p. 625. Nova História de Portugal. Lisboa: Editorial Presença).

"(...) Muitos que se acercaram primeiramente naquelas lojas dos mercadores que estavam na rua direita, assim como entraram pelas portas sem nenhuma temperança nem resguardo, davam com suas facas nos sacos das especiarias, e esfarrapavam-nos todos, de forma que tudo lançavam pelo chão. E bem era para haver dor do estrago, que ali foi feito naquele dia. Que as especiarias eram muitas de grosso valor. E as ruas não menos jaziam cheias delas (...) as quais depois que foram calcadas pelos pés da multidão das gentes que por cima delas passavam, e de si com o fervor do sol que era grande, davam depois de si muy grande odor. (...)" (Crónica da Tomada de Ceuta, Gomes Eanes de Zurara, 1450.)

A origem da doçaria conventual em Portugal terá origem no século XV. Ela é a base da doçaria tradicional Portuguesa. Terá sido no sec. XV que o açúcar entrou na tradição gastronómica dos conventos. O principal adoçante até esta altura era o mel. Com a colonização da Ilha da Madeira, o açúcar recebe uma atenção especial, sendo cultivada a cana de açúcar.

A lista de doces conventuais é extensa e abrange todas as regiões de Portugal. Saliente-se, ainda, que a confecção de um determinado doce pode variar consoante a região, e o convento de origem. Alguns exemplos: leite-creme, pudim, barriga-de-freira, rabanadas (uma sobremesa de Natal), ovos moles, trouxas de ovos, fios de ovos, arroz-doce, toucinho do céu, etc.

Não se pode ir a Lisboa sem ir comer os famosos Pastéis de Nata ou de Belém. Os melhores são os da pastelaria “Chique de Belém” que ganharam o óscar de Melhor Pastel de Nata há poucos dias em Portugal: E o óscar de Melhor Pastel de Nata vai para... a Chique de Belém
Esta foi também a nossa escolha quando em Julho de 2008 (15 dias antes da data marcada para virmos para os EUA) andávamos “às voltas” com as dificuldades impostas pela embaixada Americana para emitir o visto do Sergio... O stress apertava e nada melhor que o prazer do doce... Tudo correu bem mas foi, como nos filmes americanos, mesmo no segundo anterior ao BANG da explosão!

A sobremesa favorita do Sergio é, no entanto, o “Jesuíta”. No Porto, comprávamos Jesuítas numa confeitaria perto da nossa casa, na R. Antero de Quental (escritor/poeta Português, sec. XIX) e que une a Igreja da Lapa (que no Natal é decorada com extremo bom gosto e aonde vale a pena ir assistir a Concertos) à R. da Constituição. Os Jesuítas têm apenas 118 anos de existência. Parece que o pastel nasceu a 28 de Junho, de 1893. Segundo o Reverendo Padre Carvalho Correia, o jesuíta – assim como os restantes folhados da Pastelaria Moura (uma pastelaria famosa pela confecção de Jesuítas e Limonetes em Santo Tirso, perto do Porto. Os Limonetes são semelhantes aos Jesuítas) – surge pelas mãos de um pasteleiro espanhol, empregado de Guilherme F. de Moura, então proprietário da Pastelaria Moura. Embora não haja relação directa entre a chegada dos Jesuítas (padres e irmãos da Companhia de Jesus que chegaram à região em 1932) e o nome dado aos pastéis (pois há mais de 40 anos que se comiam em Santo Tirso os pastéis Jesuítas), o P. C. Correia não rejeita a possibilidade de ter sido o tal pasteleiro espanhol a dar o nome aos pastéis dado que havia trabalhado em Bilbao (norte de Espanha) como cozinheiro numa comunidade local de padres Jesuítas.
Em 2008, foi formada a confraria do Jesuíta em Sto. Tirso (uma associação de amigos dos Jesuítas, neste caso, como existe para os amigos do Vinho do Porto, por exemplo).
Veremos se o Sergio se quer fazer sócio...

Biscoitos de Azeite (o azeite em Portugal é sempre o de oliva)

Ingredientes:
4 ovos 
125 g de açúcar 
1,2 dl de azeite
500 g de farinha 
1 colher (chá) de canela em pó
  
Confecção:
Misture o açúcar com 2 ovos inteiros e 2 gemas.
Adicione o azeite e bata bem.
Junte a canela e a farinha e continue a bater até obter uma massa ligada.
Tenda a massa em rolinhos, dê-lhes a forma de SSS e coloque-os sobre um tabuleiro, polvilhado com farinha.
Pincele os biscoitos com as claras que sobraram e polvilhe com açúcar e canela. Coza em forno quente durante cerca de 20 minutos.
Deixe arrefecer antes de os guardar numa caixa hermética.

Nota: Pode substituir a canela por igual porção de erva doce em pó.
 

Ingredientes:
Para a massa folhada (que pode ser comprada)
0,5 Kg de farinha 
3 dl de água 
1 pitada de sal 
1 colher (de sopa) de vinagre 
400 g de manteiga 
Para o recheio
1 dl de água 
300 g de açúcar 
2 colheres (de sopa) de farinha 
5 dl de leite 
8 gemas 
2 claras
Confecção:
Coloque a farinha em monte.
Faça um buraco ao meio e verta nele um pouco de água com sal e vinagre. Amasse e junte a restante água até obter uma massa elástica.
Dez minutos depois estenda-a sobre uma superfície enfarinhada e coloque a manteiga no centro. Dobre em 3 partes e estenda. Repita a operação, polvilhando com farinha.
Depois tenda a massa até obter uma espessura fina. Pincele a massa com água e enrole, formando rolinhos finos. Corte em círculos. Unte formas de queque com manteiga e coloque um rolinho em cada uma. Pressione até forrar bem as formas.

Recheio: ponha a água ao lume com o açúcar e deixe chegar a ponto de fio. Dilua a farinha num pouco de leite frio. Junte o resto do leite, as gemas e as claras já batidas. Acrescente a calda de açúcar. Leve ao lume em banho-maria, mexendo sempre.
Recheie as formas, ponha-as num tabuleiro e leve-as ao forno aquecido a 250º.
Sugestão Sirva polvilhado de canela e açúcar em pó.


Massa folhada (pode ser comprada)
300 g de farinha
250 g de manteiga
1 a 5 dl de água
sal
Recheio:
2 gemas
3 colheres de sopa de açúcar
Cobertura:
2 claras
6 colheres de sopa de açúcar

Preparação:
Prepara-se a massa folhada com os ingredientes indicados e estende-se em tiras com cerca de 4 mm de espessura. Batem-se muito bem as gemas com o açúcar. Barram-se as tiras de massa com esta preparação e dobram-se. Com a faca cortam-se as tiras em triângulos. Batem-se as claras em castelo e nesta altura começa a juntar-se o açúcar continuando sempre a bater-se até se obter em merengue pouco espesso. Barra-se a parte superior dos jesuítas com este merengue e levam-se a cozer em forno quente, mas sem exagero.


* Hace unas semanas la anfitriona de esta Sobremesa recibió un delicioso regalo de una amiga portuguesa Maria Helena do Sousa, casada con un mexicano (Sergio Astorga), desde Los Álamos, Nuevo México. Pretendía emprender la traducción del texto (con ayuda de Wordreference), pero desistí porque, además de que no estoy preparada para una traducción seria, es mejor darle la voz, en su idioma, a la autora de la investigación y los comentarios que acompañan a estas sobremesas o postres. Si surgen dudas entre los invitados a esta sobremesa, seguramente Helena las despejará con gusto. Por lo pronto, ya preparé los Biscoitos de Azeite y aunque no me quedaron como los de la foto que me envió, de sabor estaban muy buenos.